Este artigo analisa o papel do hidrogênio de baixa emissão de carbono na estratégia brasileira de transição para uma economia sustentável, à luz da abordagem do big push para a sustentabilidade da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Partindo do reconhecimento do potencial do Brasil em energias renováveis, investiga-se se o arcabouço de políticas para o hidrogênio está orientado a um caminho de desenvolvimento sustentável e de transformação estrutural. A pesquisa combina revisão de literatura sobre o Plano de Transformação Ecológica, a Nova Indústria Brasil e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com a análise do contexto do setor de hidrogênio, suas políticas regulatórias e mecanismos de financiamento. Os resultados indicam que, embora haja avanços institucionais e sinergia entre programas nacionais, persistem desafios de coordenação, escala e estabilidade de financiamento para consolidar o hidrogênio como vetor de um ciclo virtuoso de crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental. Conclui-se que a plena realização desse potencial requer maior integração entre políticas industriais, energéticas e climáticas, compondo um mix de políticas para alavancar investimentos transformadores e garantir a competitividade sustentável do país com foco na agregação de valor e inserção competitiva.
Publicação Transformações em curso: políticas públicas para o desenvolvimento latino-americano