Este estudo analisa o processo de tomada de decisão que levou à emergência da agenda de transformação econômica verde na agenda econômica do Brasil. Com base na Teoria da Agenda, sob a perspectiva das coalizões de defesa, adotou-se uma abordagem qualitativa, utilizando análise de conteúdo temática de entrevistas semiestruturadas realizadas com formuladores de política econômica, climática, industrial e energética dos ministérios do terceiro governo Lula. Os resultados indicam que eventos externos ao subsistema da agenda verde influenciaram a visão dos formuladores de política – em especial o cenário global da economia verde e a ocorrência de eventos climáticos extremos -, favorecendo a mudança institucional que possibilitou a inclusão da transformação econômica verde na agenda econômica. A nova cadeia global de valor da economia verde e a crescente demanda mundial pela transição energética são percebidas como oportunidades para a transformação econômica verde, dadas as vantagens comparativas do Brasil no setor de energias renováveis. Por outro lado, o cenário global também é visto como uma ameaça, marcada pelo chamado protecionismo verde, expresso em barreiras comerciais e subsídios às novas tecnologias.
Acesse em https://doi.org/10.1590/0034-761220250630